Bullying e o Autoconceito

brother-977170_1920Prof. Guilherme V. M.

O Bullying compreende as atitudes agressivas, intencionais e repetidas que podem ocorrer sem motivação evidente. Os relacionamentos associados a desigualdade de poder e domínio sobre o outro podem comprometer seriamente a individualidade e autenticidade do ser humano, caso não haja uma intervenção ou se identifiquem as causas do problema.

Para compreender melhor a influência que o bullying exerce sobre a vida das pessoas, faz-se um paralelo com um termo da Psicologia: o autoconceito, vivência psíquica tão antiga como o ser humano. O constructo autoconceito é considerado de grande importância no desenvolvimento de qualquer pessoa, especialmente para aquelas que necessitam de tratamentos diferenciados em algum aspecto concreto.

          “O autoconceito é um conjunto amplo de representações – imagens, juízos, conceitos – que as pessoas têm sobre si mesmas (Epstein, 1981). O autoconceito, de uma forma geral, compreende a questão particular ao indivíduo: Quem sou eu?”

Para a Psicologia, o conceito do termo está associado à organização das crenças em torno dos diferentes contextos, situações, ideias, percepções e processamento das informações. O autoconceito destaca basicamente três grandes áreas:

  • Como o indivíduo vê a si mesmo – características físicas; identidades sociais; atributos pessoais.
  • Como o indivíduo gostaria de se ver – a imagem do “eu”; a imagem que “idealizo”; a imagem “moral” (que eu acredito que devo ser)
  • Como o indivíduo se mostra aos outros – auto-estima; metas; valores; papel na sociedade.

Em suma, o autoconceito é uma estrutura cognitiva que contém imagens do que somos, desejamos ser e do que manifestamos e desejamos manifestar aos demais. A pessoa, quando vive como objeto, faz isso nessas três dimensões.

Sim, e o que isso tem a ver com o Bullying??

Basicamente, tudo. Se pensarmos o autoconceito como um componente associado ao desenvolvimento em todos os aspectos da vida, bem como um fator de influência e envolvimento por parte da cultura e contato com pessoas diferentes, pode-se concluir que as diversas intervenções que ocorrem nas diferentes situações da vida afetam a maneira como nos comportamos e nos relacionamos com as demais pessoas, exercendo influência direta sobre a psique, as emoções e o comportamento humano.

Se um indivíduo cresce em um ambiente predominante agressivo, no qual os pais se envolvem constantemente em brigas e discussões, é provável que a criança tenha grandes possibilidades de exercer um padrão agressivo de comportamento em sociedade.

Na escola, por exemplo, se um aluno é excluído ou ignorado pelos colegas para participar das atividades nas aulas de Educação Física, por ser obeso ou não ser habilidoso, isso denuncia uma ação negligente e ineficiente do professor, e talvez seja provável que o excluído cultive uma baixa autoestima e comunicação na fase adulta, se tais ações se tornarem repetitivas, sem intervenção e auxílio do instrutor.

Portanto, via de regra, é preciso estar atento com o que falamos e todas as ações que envolvem os relacionamentos em geral. É possível estabelecer um contato positivo e mais saudável nas relações se:

  • Tomar consciência de fraquezas e limitações e ser capaz de aceitá-las;
  • Não perder a liberdade diante dos outros quando sentir que é necessário dar uma opinião com a qual estão de acordo;
  • Ser uma pessoa generosa;
  • Aceitar as críticas dos demais;
  • Saber escutar;
  • Saber reconhecer os próprios limites;
  • Dispor-se a aceitar as críticas que outros fazem sobre as falhas e limitações.
  • Ser capaz de analisar o lado positivo e negativo das diversas situações vividas, fazendo emergir potencialidades pessoais;
  • Mostrar-se perseverante e constante para conseguir as metas propostas, sentindo-se auto-realizado;
  • Levar em consideração o que faz, tentando mudar e melhorar o que não gosta.

Pense nisso!!!

Referências:

  • EPSTEIN, S. (1981). “Revisión del concepto de sí mismo.” In: A Fierro (ed.). Lecturas de psicología de la personalidad. Madrid: Alianza.
  • GONZALEZ. Eugênio (Org.). Necessidades educacionais específicas. Porto Alegre: Artmed, 2007.

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