Uma breve reflexão sobre o amor

amor Prof. Guilherme Mendes

“No amor tenho sempre a impressão de que uma felicidade ilimitada, além dos meus mais desvairados sonhos, está logo ali dobrando a esquina, aguardando apenas uma palavra ou sorriso. […] A beleza não é senão a promessa de felicidade.” (Stendhal, 1822)

Carta de um ser apaixonado!

Admito que tenho dificuldades para amar. Em mim se encontra um grande vazio, que só é preenchido quando minha alma encontra a tua. Não é fácil desprender-me dos meus temores na tua presença, mas o reflexo incandescente do amor transfigura a pureza do teu coração, iluminando as minhas fraquezas.

Desejei ardentemente encontrar um grande amor. A minha alma, que vagava silenciosa e solitária pelo mundo, ansiava por encontrar a sua metade, um lampejo luminoso, o fogo que sobrepuja as trevas. Regozijei-me na solidão das longas viagens, caminhei por lugares vastos e esplendorosos, empenhei-me em servir as multidões com a força do meu trabalho, e não encontrei a paz que desejava.

Todavia, quando o teu amor surgiu, fez brilhar em mim a esperança de um novo alvorecer. Seu amor reluziu em meu peito como um raio flamejante. O que era escuro e sem vida, tornou a brilhar e rechaçar as névoas intempestivas da minha melancolia.

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Todas as coisas são belas, quando vistas do ponto de vista do intelecto ou como verdades. Todas as outras são amargas e finitas, quando vistas pela experiência. No mundo real, as relações duram a medida de um breve e superficial contato. No mundo da verdade, a medida do amor é a consequência mais real e duradoura que a alma pode exprimir. É o desejo sincero de estar na companhia do outro ou de deleitar-se com o que satisfaz a alma.

Para o amor, todas as coisas se equivalem e se transfiguram no tempo e no espaço, não havendo limites para a confiabilidade. Quem ama confia tenaz e verdadeiramente em seu amado. Quem ama está disposto ao sacrifício, mostrando-se preparado a devotar a vida, se necessário, para proteger seu objeto de afeição. Quantos de nós somos capazes de tamanho gesto?

Não há na memória da linha da vida humana maior afeição do que deleitar os pensamentos e imaginações sobre os momentos pelos quais fomos envoltos, como estrelas esmaltadas, por um trivial feitiço de amor. O acesso às raízes mais profundas da memória nos faz recordar de quando éramos crianças e recebíamos os mimos dos pais, de quando recebemos apoio nos momentos mais cruciais e difíceis da vida, de quando aqueles que estimamos ajudaram a nos reerguer perante a imposição do mundo selvagem, e de quando encontramos o amor real, em sua forma mais pura e inocente.

Compartilhamos uma fé inconsciente no amor, embora relutemos em prontificar e dar o veredito para essa certeza, seja por orgulho ou por sentimentos mesquinhos e de baixa espécie. A humanidade caminha, firmando a passos muito lentos sua confiança no amor. O homem não deve temer a perda de qualquer coisa pelo progresso da alma, pois na alma residem as respostas para confiar no amor até o fim.

Por isso prezo pelo amor que não se desmancha perante a parcialidade e vulgaridade, e que alimenta a busca incessante pela virtude e sabedoria. Esse é o nosso estado permanente. Ainda que para os inconscientes de espírito os objetos da afeição se fixem nas coisas do mundo, os ternos amores e meros medos que transitam acima de nós devem perder sua durabilidade e contemplar o sublime e o eterno.

Existem no mundo pessoas que confiam seu amor a uma ou mais pessoas. Existem pessoas que encontram o amor no reluzir de suas atividades profissionais. Existem pessoas que encontram e manifestam o amor de forma simples, incitando no cotidiano gestos generosos e simpáticos que agradam as demais pessoas. Existem indivíduos que transmutam a solidez dos laços engessados, convergindo suas ações em prol da união, da paz e da solidariedade.

Há diversas formas de amor. Nenhuma delas é tão real quanto a que nos faz emergir dos pontos alvejantes da própria alma. Como espectadores e aprendizes das forças e fraquezas de nossos semelhantes, somos pequenos sinais que empregam todos os recursos da natureza em prol de nossas afeições, consequentemente nos tornando veículos do espírito.

Um abraço!

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