Lidando com alunos problemáticos

aluno_problematicoProf. Guilherme Mendes

Por maior que seja o esforço de um professor dedicado, a turma pode ou não gostar da aula. A culpa é do profissional? Talvez sim, caso este não preste atenção aos “detalhes” que fazem toda a diferença na conduta em sala de aula.

Os detalhes são, talvez, aqueles pontos que relutamos em melhorar, seja por indulgência ou por preguiça mesmo. Não podemos “vencer todas as batalhas”, mas podemos agregar novas formas ou estilos didáticos para abordar temas e turmas diferentes.

Quando trabalhei em uma escola particular de ótima referência em Curitiba, precisei modificar e adaptar minha didática para responder as necessidades de fases completamente diferentes. Em um único dia, cheguei a trabalhar com turmas de educação infantil, ensino fundamental e ensino médio. Era um trabalho muito desgastante, mas eu precisava me adaptar.

Aquela experiência me forneceu fortes subsídios didáticos para compreender o feeling por detrás das preparações e atuações em público. Há ocasiões em que não conseguimos melhorar, porque, ainda que tenhamos todo o preparo e zelo para administrar conflitos e mediar discussões em sala de aula, dois pontos se contrapõem a nossa valiosa experiência: a individualidade dos alunos e a pressão do tempo.

Quando a autoridade do professor entra em conflito com a individualidade exacerbada de um ou mais alunos, os problemas podem se estender a níveis muitos altos, e o preço é o conflito não-saudável. Por sua vez, a pressão do tempo para atingir as finalidades da aula pode comprometer a atuação do professor, que se preocupa demasiadamente com a aplicação dos conteúdos, negligenciando muitas vezes as estratégias didáticas e de intervenção.

A partir de minha própria experiência, e através das reflexões da especialista em didática, Tabatha Rayment, convém apresentar os seguintes esclarecimentos sobre a vida e a rotina do professor:

  • Haverá ocasiões em que você não vai conseguir se entrosar com os alunos, e não se preocupe com isso. O professor não tem a obrigação de ser o “super-herói” da turma, muito menos ser “babá” de crianças e adolescentes difíceis. O conflito é necessário para a construção e reflexão críticas dos conteúdos, mas não pode ser justificado mediante a extrapolação das emoções e sentimentos exacerbados na relação professor/aluno. Portanto, não alimente expectativas excessivas para com as turmas e alunos vigentes.
  • Um professor jamais conquista a turma por ser excessivamente simpático ou “gente boa”. Esses detalhes implicam em uma severa ausência de autoridade. Nesse ponto, a “civilidade” é a melhor opção para responder as diferentes demandas e conflitos. Agir com civilidade não é o mesmo que passar a mão na cabeça e exercer favoritismo.
  • Para garantir um bom relacionamento com os alunos, aja sempre com responsabilidade e respeito. Trate os alunos como gostaria de ser tratado, independente do resultado.
  • Trate todo e qualquer problema com “racionalidade e lógica.” Jamais leve para o lado pessoal os conflitos que surgirem no dia-a-dia, pois o estresse ocasionado pode levar ao sofrimento psicológico e a perda de saúde. Priorize em primeiro lugar atacar o problema, e não a pessoa.
  • Existem professores que se orgulham de sua bravura e por conquistar o domínio da turma pela força do grito e da imposição autoritária. Para manter o controle das situações, não é necessário exercer o efeito catastrófico do grito, pois erguer o tom de voz por longos períodos fará com que os alunos desviem a atenção e parem de escutar o professor. Não digo que o grito é ruim (de vez em quando para aliviar uma tensão…), mas ele deve ser o último recurso, após esgotadas todas as opções.

No caso dos adolescentes, é compreensível que uma parte considerável deles apresente comportamentos extremos. As angústias adolescentes parecem perdurar em meio ao processo de crescimento e puberdade. Particularmente, embora eu tenha sido um adolescente sério e pensativo – ao contrário de muitos de meus ex-colegas – eu vivia uma constante angústia interior, que eu só conseguia sanar através de atividades esportivas e desafiantes.

Para os adolescentes, os sentimentos oscilam muito facilmente, e o professor deve ser paciente e compreensivo, mas pontuar limites bem definidos nas relações para não comprometer sua atuação por conta dos comportamentos.

Controlar o comportamento da classe não significa exercer uma tarefa árdua e penosa. Ao agir com calma, agilidade e sabedoria sobre os desafios de sala de aula, o professor preserva a saúde, evita comportamentos indesejáveis e reduz as chances de agravar a situação, sem perder o controle sobre si mesmo e sobre a turma.

Um abraço!

Guilherme Valentim Mendes / E-mail para contato: gvm86@uol.com.br

Referência para consulta:

  • RAYMENT, Tabatha. 99 calamidades em sala de aula… e como evitá-las. São Paulo: Special Book Services Livraria, 2008.

Leia também:

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s