A educação e a sustentabilidade da natureza

natureza_sustentabilidadeProf. Guilherme Mendes

É inexplicável a afeição e o instinto que muitos indivíduos possuem para a destruição. Não fosse assim, essas pessoas não arrancariam ou quebrariam árvores plantadas nas ruas; não pichariam ou destruiriam muros pintados e construídos com a finalidade de proteger os patrimônios existentes; não ateriam fogo lugares de comércio e empreendedorismo em dias de protesto, entre outras barbáries que prejudicam o desenvolvimento do país…

E os violadores de conduta e revoltados ainda têm a cara de pau de chamar tais violações de rebeldia contra o sistema. Isso é “vandalismo” da pior espécie. O maior ato de rebeldia que um ser humano pode proclamar é ser maior do que os seus instintos destrutivos. É perceber as injustiças que acometem a natureza e a sociedade, e empreender sua energia e seu intelecto em benefício da cidadania e do país, com atitudes nobres e ativistas em prol do projeto coletivo do planeta. Essa é a verdadeira rebeldia contra o que há de mais perverso e injusto na sociedade.

Tenho um sincero sentimento de pena por pessoas que se julgam rebeldes e praticam atos horrendos em violação as leis cósmicas. O ser humano possui as ferramentas e qualidades interiores necessárias para viver em paz no mundo, mas um espírito enfraquecido jamais se curva perante a verdade. Ele prefere perambular o universo da ignorância. Ao mesmo tempo, reconheço que tais inclinações são afirmações da ausência de uma educação para a consciência, como falarei mais adiante.

Os sentimentos inconscientes que tangem à mania de destruição, ao senso de revolta, ao protesto tácito, ao ódio e à vingança não possuem explicação lógica, partindo do ponto de vista do bem comum. Eles incitam às práticas que contradizem tudo o que é ensinado e transmitido pela família e pela escola.

Ás vezes fico pensando comigo mesmo: será que essas revoltas que os obstinados proferem contra as estruturas da natureza não revelam um sentimento de ódio contra o próprio Deus da natureza? Aquilo que a natureza levou anos e anos a fio para construir e consolidar pode lhe ser tomado por conta das aberrações que as almas odiosas fomentam em forma de ações cruéis.

Apenas a “consciência” pode elevar o ser humano a um elevado patamar ético e alinhado com a lacuna da responsabilidade. A ciência por si somente não pode abolir o terrorismo. A consciência pode fazê-lo. É ingênuo argumentar também que “abrir uma escola é fechar uma cadeia”, pois a própria história prova que os grandes ditadores, carrascos e malfeitores da humanidade eram pessoas de inteligência e preparo, porém desprovidas de educação para a consciência.

Quem aprende a amar a natureza encontra em si mesmo as respostas para as indagações da vida. Quem aprende a amar a natureza, ama também a natureza do criador, e vive em equilíbrio com as suas próprias necessidades.

Uma forma sistemática de vida está presente nas ferramentas de um cidadão honesto e trabalhador, que dedica horas e horas de seu cotidiano para pintar e modelar um padrão de parede. Um princípio de sabedoria reside no crescimento paciente e laborioso de árvore em desenvolvimento. A virtude se encontra no juiz que intermedia e apazigua as relações tensas e complicadas de uma partida de futebol, e a crença inerente do cidadão de batalhar por um sonho e melhorar o país se faz presente no cotidiano daqueles que se dedicam de corpo e alma às suas vocações. A substância elementar e enérgica da natureza está presente em todas as ações humanas.

Esse é um universo de “consciência, causa e efeito”, e o ser humano pagará um alto preço para todas as vezes que violar as leis cósmicas.

Na natureza residem as respostas para muitos dos dilemas humanos. O homem moderno precisa aprender a viver em equilíbrio com as coisas do mundo, e não se deixar dominar por sentimentos de baixo nível. Nesse sentido, não deixo de refletir e pontuar que talvez alguns dos maiores problemas de nosso país na atualidade sejam “a crise existencial e a ausência de religiosidade” no trato com a vida, a natureza e a ordem do universo.

Compreenda-se por crise existencial a falta de sentido veemente na vida do ser, e a ausência de religiosidade a desarmonia com as leis da natureza e a inexistência de ações generosas e proativas do ser em prol do bem-estar comum.

No mais, creio que ainda temos um longo e árduo caminho a ser desbravado. Educar para a consciência é para o presente e será para o futuro uma tarefa cada vez mais desafiadora para pais e educadores, sendo a responsabilidade, o respeito, o ativismo em prol da cidadania e o amor à natureza seus resultados mais prodigiosos.

Um abraço!

Guilherme Valentim Mendes / E-mail para contato: gvm86@uol.com.br

Leia também:

A crise existencial do homem moderno e o propósito da educação

Lidando com alunos problemáticos

Leis espirituais

O efeito da contemplação

O mito de Sísifo e a condenação dos inconscientes

Obediência à autoridade

Sensibilidade e autopercepção

A força do silêncio

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s