A meditação favorece a educação?

meditacao_criancasProf. Guilherme Mendes

Nas últimas décadas, generalizou-se no mundo a prática da meditação. A meditação é uma prática que, se praticada diariamente, pode exercer um impacto favorável na vida do praticante, levando-o inevitavelmente ao relaxamento e bem-estar.

Durante a meditação, a pessoa conserva as plenitudes da espiritualidade, suspendendo as atividades do ego, e concentrando sua consciência única e exclusivamente na vacuidade dos pensamentos.

Esse esvaziamento é, sem sombra de dúvidas, imprescindível para concentrar mente, corpo e espírito na plena conscientização do Eu central. Atualmente, o ser humano vive um estado latente de dispersividade material, mental e emocional, que são elementos fortalecidos pelas influências tecnológicas e materiais, como a televisão, o computador, o rádio e as mídias em geral.

Atualmente a quantidade de informações acolhidas na experiência do cotidiano é demasiada para muitos de nós, e embaralha nossos pensamentos, consequentemente afetando nossa capacidade crítica de reter e avaliar essas informações. Mal recebemos determinado estímulo, outro já nos é apresentado. Nesse sentido, é difícil para a mente repousar e encontrar paz diante do círculo vicioso das atividades diárias.

O ser humano encontra cada vez mais dificuldades de se desligar do mundo material e se interiorizar no mundo espiritual. Talvez esse seja o pontapé inicial para justificar a importância da prática de meditação para o aprimoramento do ensino e da educação. O esvaziamento reduz a incidência de dispersividade social e material, melhorando a concentração do praticante com a frequência da prática.

Há de se destacar, entretanto, que a prática da meditação não deve ser um fim em si mesma, e deslocar todas as atividades pertinentes da concentração em sua dinâmica, deslocando o propósito da vida educacional. Ela é apenas um complemento, que pode auxiliar educador e educando a obterem maior rendimento em suas atividades diárias.

O que se pode afirmar pela prática assídua da meditação é que, uma vez que ela melhora um determinado setor da vida, induz a melhorar todos os demais setores. É inegável os efeitos que a meditação a longo prazo exerce na vida humana: o relaxamento, o autodomínio, a sensibilidade ou discernimento para absorver e ponderar informações e conteúdos, a concepção de valores apropriados à vida orgânica, a imersão do educando para uma educação da consciência, entre muitos outros benefícios.

Muitos educadores da atualidade tem aderido à prática da meditação, sobretudo na parte da manhã, no primeiro horário do dia, para compenetrar a consciência dos alunos à interiorização e conexão com as fontes mananciais cósmicas. Vale a pena gastar de cinco a dez minutos da aula para efetivar essa prática.

A referência de práticas diversificadas, como a meditação, deveria servir de apoio inclusive aos livros e instrumentos didáticos de orientação educacional e de trabalho do professor. Na minha visão, é preciso desmistificar a centralização da ciência sobre os objetivos educacionais, e dimensionar a conjuntura de sólidas referências para a educação da consciência e dos valores. A “ciência”, como comentei no post A crise existencial do homem moderno e a função da educação, não é capaz de justificar a realização existencial humana por intermédio da instrução. Essa é uma tarefa que é compele aos instrumentos baseados em valores próprios do indivíduo.

É preciso desmistificar também os condicionamentos mecanicistas e atrofiados da prática pedagógica. A práxis deve ser imobilizadora e progressista, de forma a contribuir exponencialmente para o saber do educando, alinhando a diversidade das culturas e saberes tanto da ciência quanto do mundo dos valores.

Em um mundo influenciado pelos fatores materiais e tecnológicos fortemente impregnados nas atividades humanas, é preciso que o educador invista sérios esforços na concepção de vias alternativas e introspectivas do saber, que induzam o educando ao autoconhecimento e ao mundo dos valores. Enquanto o educando confundir a felicidade com a aquisição de bens materiais e aparatos tecnológicos, ou a infelicidade com o sofrimento, não haverá um caminho sólido para a verdadeira educação.

A base da educação é o autoconhecimento.

Um abraço!

Guilherme Valentim Mendes / E-mail para contato: gvm86@uol.com.br

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