Intervenções para melhorar o autoconceito de crianças e adolescentes

As seen on a Sussex Directories Inc siteProf. Guilherme Mendes

A intervenção educacional baseada na importância da formação visa, entre outros aspectos, melhorar o autoconceito, que nada mais é que

“um conjunto amplo de representações – imagens, juízos, conceitos – que as pessoas têm sobre si mesmas (Epstein, 1981). O autoconceito, de uma forma geral, compreende a questão particular ao indivíduo: Quem sou eu?” (Leia depois o post: Bullying e o Autoconceito)

De acordo com Eugenio González (2007), o autoconceito, sob o ponto de vista da Psicologia, contextualiza a opinião do ser humano sobre sua própria identidade, sua personalidade e conduta. É o que a pessoa vê quando olha a si mesma, o conjunto de traços com os quais se descreve e que, embora não sejam necessariamente verdadeiros ou objetivos, guia seu modo habitual de ser e se comportar.

Os estudos de intervenção prescrevem impreterivelmente a importância da qualidade do tratamento que se recebe por parte da família como determinante na construção do autoconceito e da autoestima. A compreensão aprofundada sobre o tema autoconceito postula um conceito generalizado que afirma o que muitas pessoas repetem com frequência no cotidiano: “Educação começa em casa!”

Todavia, mediante a intervenção significativa do professor na vida dos educandos, eu complementaria a afirmação da seguinte maneira: “Educação começa em casa, prossegue na escola e se consolida na consciência e nas ações do indivíduo.”

De acordo com Cesar Coll Salvador e colaboradores (2000), os elementos como as mensagens que os outros enviam à pessoa sobre as suas execuções e qualidades, as atitudes que adotam em relação a essas, as percepções que transmitem ou as expectativas que depositam, todos fazem parte da tela de representações e de experiências que a pessoa vai internalizando e a partir das quais elabora uma determinada imagem de si mesma e valoriza, de uma maneira ou de outra, aquela imagem.

Existe um consenso geral para a afirmação de que um autoconceito e uma autoestima positiva se associam a resultados de aprendizagem melhores. Por esse motivo, pais, educadores e demais pessoas significativas influem grandemente na formação do autoconceito e na regulação da autoestima.

Uma criança que é valorizada, considerada, acolhida e querida sem ser mimada pelos pais, cresce no sentido da autoafirmação, e seu autoconceito é desenvolvido em prol da competência pessoal.

Embora a família exerça um impacto considerável na afirmação do autoconceito da criança, ela, sozinha, é incapaz de conseguir uma formação suficiente. Nesse caso, os professores experientes e preparados devem complementar as limitações familiares, assim como os coordenadores e gestores devem suprir tais necessidades em conjunto com a comunidade escolar, viabilizando projetos e programas específicos de assistência educacional, direcionados para o amadurecimento, a colaboração e o crescimento dos responsáveis.

A seguir algumas diretrizes e intervenções básicas direcionadas aos pais, com o objetivo de influenciar positivamente o autoconceito de crianças e adolescentes:

  1. Os pais devem valorizar positivamente as características singulares e distintas dos filhos, evitando agir como superprotetores.
  2. Os pais devem estabelecer uma comunicação clara, fluente e profunda com os filhos, acolhendo-os em seu sentimento como membros importantes da família.
  3. Os pais devem confiar aos filhos as experiências que podem realizar, sem excessos de vigilância (o que inibe a criatividade e liberdade das mesmas) e recompensando-os por seus esforços.
  4. Os pais devem ser modelos de autoestima.
  5. Os pais devem estimular a ordem, a limpeza e a disciplina dos filhos em casa com flexibilidade.
  6. Os pais devem fortalecer o senso de responsabilidade dos filhos, revendo com eles seus compromissos e suas condutas éticas.
  7. Os pais devem estimular nos filhos a responsabilidade financeira, guiando-os para o uso moderado e consciente do dinheiro e dos pertences.
  8. Os pais devem orientar os filhos para a realização, estimulando e encorajando os mesmos a descobrir, desenvolver ou aprimorar seus talentos e recursos interiores.

Toda e qualquer mudança leva tempo considerável na vida de crianças e jovens. Nada que seja programado para desenvolver um autoconceito positivo e equilibrado acontece da noite para o dia. A afirmação do ser humano no mundo depende principalmente da afirmação de pais e professores amadurecidos e preparados pela grande escola da vida, que não cessa de clamar por mais solidariedade, compreensão e profundidade em suas diversas relações.

Um abraço!

Guilherme Valentim Mendes / E-mail para contato: gvm86@uol.com.br

Referências para consulta:

  • EPSTEIN, S. (1981). “Revisión del concepto de sí mismo.” In: A Fierro (ed.). Lecturas de psicología de la personalidad. Madrid: Alianza.
  • GONZÁLEZ, Eugenio (Org). Necessidades educacionais específicas: intervenção psicoeducacional. Porto Alegre: Artmed, 2007.
  • SALVADOR, César Coll (Org). Psicologia do ensino. Porto Alegre: Artmed, 2000.

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